Reino de Judá

O Reino de Judá limitava-se ao Norte com o Reino de Israel Setentrional, a Oeste com a inquieta região costeira da Filístia, ao Sul com o Deserto do Negueve, e a Leste com o Rio Jordão e o Mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região montanhosa, fértil, relactivamente protegida de invasões estrangeiras (o território da Tribo de Judá manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de 300 anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo do Deus de Israel mandado construir pelo Rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança (ou Arca do Pacto).

Após a Divisão do Reino, no 6.º ano do Rei Roboão, o Faraó Sheshonq I) invade a Palestina e transforma o Reino de Judá num estado tributário. Esse fato é pouco evidênciado no relato bíblico, mas comprovado por inscrições egípcias. (Inscrição mural sobre Sheshonq I no Templo de Karnac e a Estela de Megido). Devido à sua posição estratégica às portas da Península do Sinai e acesso ao Baixo Egito, foi utilizada pelo Faraó como um Estado "tampão", o que lhe pouparia de usar seus próprios exércitos para defender esta fronteira.

O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filísteus. Entretanto, o principal adversário político e militar do Reino de Judá foi o Reino de Israel Setentrional. Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as dois reinos, com vitórias pouco significativas alternando-se em cada lado. Israel Setentrional tornou-se fortemente influênciado pela cultura cananéia e pela religião fenícia, enquanto Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em YHVH, o Deus de Israel (Jahvé ou Jeová). O culto a YHVH e preservação da linhagem real dávidica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Velho Testamento, a justificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino de Judá, ao passo que o politeísmo de Israel Sententrional teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes (enquanto o Reino de Judá permaneceu sob a dinastia dos descendentes do Rei David, o Reino de Israel Setentrinonal passou por várias dinastias e golpes de Estado).

O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão, em 722 a.C.. Mais tarde, o Rei Senaqueribe invade o Reino de Judá e sítia Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra de Deus". Outros autores, de orientação científica, crêem ser provável que rebeldes entre os próprios assírios tenham se levantado após uma campanha militar tão longa na Palestina, até porque Senaqueribe não era muito querido nem mesmo por seus súditos. De qualquer forma, o Reino de Judá se viu pela primeira vez ameaçado por forças estrangeiras.

Índice

[editar] Lista dos Reis

Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas por William F. Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon Galil. Todas elas são indicadas no quadro. Todas as datas são A.C. (Antes de Cristo).


Datas de Albright Datas de Thiele Datas de Galil Nome comum/ Nome biblico Tradução alternativa Nome Hebraico Notas
922–915 931–913 931–914 Roboão Reoboão רחבעם בן-שלמה מלך יהודה
Rehav’am ben Shlomoh
 
915–913 913–911 914–911 Abias Abiam
Abião
אבים בן-רחבעם מלך יהודה
’Aviyam ben Rehav’am
 
913–873 911–870 911–870 Asa   אסא בן-אבים מלך יהודה
’Asa ben ’Aviyam
 
873–849 870–848 870–845 Josafat Josafá
Jeosafá
יהושפט בן-אסא מלך יהודה
Yehoshafat ben ’Asa
 
849–842 848–841 851–843 Jorão Jeorão יהורם בן-יהושפט מלך יהודה
Yehoram ben Yehoshafat
Assassinado
842–842 841–841 843–842 Ocozias Acazias אחזיהו בן-יהורם מלך יהודה
’Ahazyahu ben Yehoram
Morto por Jeú, Rei de Israel
842–837 841–835 842–835 Atália   עתליה בת-עמרי מלכת יהודה
‘Atalyah bat ‘Omri
Assassinada
837–800 835–796 842–802 Joás Jeoás יהואש בן-אחזיהו מלך יהודה
Yehoash ben ’Ahazyahu
Assassinado
800–783 796–767 805–776 Amassias Amazias אמציה בן-יהואש מלך יהודה
’Amatzyah ben Yehoash
Assassinado
783–742 767–740 788–736 Ozias Uzias
Azarias
עזיה בן-אמציה מלך יהודה
‘Uziyah ben ’Amatzyah


עזריה בן-אמציה מלך יהודה
‘Azaryah ben ’Amatzyah

 
742–735 740–732 758–742 Jotam Jotão יותם בן-עזיה מלך יהודה
Yotam ben ‘Uziyah
 
735–715 732–716 742–726 Acaz   אחז בן-יותם מלך יהודה
’Ahaz ben Yotam
 
715–687 716–687 726–697 Ezequias   חזקיה בן-אחז מלך יהודה
Hizqiyah ben ’Ahaz
 
687–642 687–643 697–642 Manassés   מנשה בן-חזקיה מלך יהודה
Menasheh ben Hizqiyah
 
642–640 643–641 642–640 Amon Amom אמון בן-מנשה מלך יהודה
’Amon ben Menasheh
Assassinado
640–609 641–609 640–609 Josias   יאשיהו בן-אמון מלך יהודה
Yo’shiyahu ben ’Amon
Morreu em batalha
609 609 609 Joacaz Jeoacaz יהואחז בן-יאשיהו מלך יהודה
Yeho’ahaz ben Yo’shiyahu
אחז בן-יאשיהו מלך יהודה
’Ahaz ben Yo’shiyahu
 
609–598 609–598 609–598 Joaquim Jeoaquim יהויקים בן-יאשיהו מלך יהודה
Yehoyaqim ben Yo’shiyahu
 
598 598 598–597 Jeconias Jeoaquin יהויכין בן-יהויקים מלך יהודה
Yehoyakhin ben Yehoyaqim
יכניהו בן-יהויקים מלך יהודה
Yekhonyahu ben Yehoyaqim
Deposto pelos Babilónios.
597–587 597–586 597–586 Sedecias Zedequias
Matanias
צדקיהו בן-יהויכין מלך יהודה
Tzidqiyahu ben Yo’shiyahu
Ultimo Rei de Judá. Deposto e levado para o exílio.

[editar] A queda do Reino de Judá

Segundo o Velho Testamento, Manassés, Rei de Judá, teria feito o que é mau aos olhos de Deus, e por causa de suas obras, todo Judá estava condenado ao exílio e à escravidão. Em verdade, ocorreu após o reinado de Ezequias um declínio na força política, econômica e militar de Judá, talvez acelerada pelo vácuo deixado pela queda de Israel (apesar das desavenças, ainda um importante parceiro comercial) ao norte e sua ocupação pelos assírios. O declínio do Egito, da Fenícia e das nações vizinhas também contribuiu para o isolamento de Judá.

Durante o reinado de Josias, Rei de Judá, o Faraó Neco II, aliado do já decandente Império Assírio, empreedendo uma guerra contra os exércitos de Babilónia. Em 609 a.C., trava-se a Batalha de Megido. O Rei de Judá entra em batalha para deter o exército egípcio do Faraó Neco II, mas acaba por ser morto. Seu filho Joacaz é levado prisioneiro após 3 meses de reinado, e o Reino de Judá se torna tributário do Egito. Neco II impôs a coroação do irmão de Joacaz, Eliaquim, e mudou-lhe o nome para Jeoaquim. Em 605 a.C., trava-se a Batalha de Carquemish com a derrota definitiva de Neco II.

A leste, a Assíria sofreu um rápido declínio, e em poucos anos seu território foi absorvido pela Babilônia. Nabucodonosor II, rei da Babilônia, empreendeu uma campanha militar contra Judá. Enfrentando pouca resistência, conseguiu entrar em Jerusalém, em 597 a.C., e levou consigo utensílios do Templo e o próprio rei Jeoaquim como prisioneiro. Em seu lugar, estabeleceu o filho de Jeoaquim, Joaquim, como Rei de Judá. Joaquim, com 8 anos de idade, teve o mesmo destino de seu pai 3 meses e 10 dias depois de sua coroação. Nabucodonosor então colocou sobre o trono o irmão de Joaquim, Zedequias.

Governando como vasalo da Babilónia, o Rei Zedequias manteve-se no poder por 11 anos, quando então rebelou-se contra Nabucodonosor, provavelmente ao recusar-se pagar tributo. Foi o suficiente para que invadisse Jerusalém, matasse seus habitantes, despojasse o Templo de todos os seus bens de valor e ateasse fogo a ele. O Reino de Judá deixou assim de existir.

[editar] O destino de Judá

No território de Judá permaneceram apenas os mais pobres. Todo o restante do povo que sobreviveu ao ataque de Nabucodonosor II foi levado às cidades do reino da Babilônia. O período de cativeiro na Babilônia fez crescer entre o povo de Judá um sentimento de identidade racial e religiosa indissolúvel. O relato bíblico deste período entre a conquista de Jerusalém e a conquista da Babilônia por Ciro II da Pérsia é onde primeiramente se utiliza de forma consistente o termo "judeu" para identificar o povo de Judá, ou aqueles da mesma raça e seguidores da mesma religião daquele povo. A nação judaica sobreviveu para retornar à Palestina e repovoar a província persa de Judá (Yehud), mais tarde denominada Judéia pelos romanos.

A história de Judá após Exílio na Babilônia passou a ser a mesma do próprio povo Judeu, até os dias de hoje.

[editar] Leitura complementar


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